Os 7 Hábitos, de Stephen Covey: resumo de cada hábito
- Livro
- Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes: lições poderosas para a transformação pessoal
- Autor
- Stephen R. Covey
- Editora
- BestSeller (Grupo Editorial Record)
- Pra quem
- Quem quer base sólida de eficácia pessoal
Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes é o clássico de Stephen R. Covey sobre eficácia pessoal e interpessoal, organizado em sete hábitos que vão da proatividade à renovação. A tese é que mudança duradoura começa de dentro para fora, no caráter, e não em técnicas de imagem. Aqui estão o resumo de cada parte e de cada hábito pela edição comemorativa da BestSeller, as 7 lições, as críticas e pra quem o livro serve.
Muitos livros de produtividade e liderança das últimas décadas são, no fundo, variações de ideias que estão aqui. Quadrante de urgência e importância, círculo de influência, ganha-ganha, ouvir antes de falar: tudo isso ficou popular a partir de Os 7 Hábitos. O livro tem mais de trinta anos, é longo e às vezes pregador. Mas continua sendo a base.
Quem é Stephen R. Covey
Stephen R. Covey nasceu em 1932, em Salt Lake City, nos Estados Unidos. Fez MBA em Harvard e doutorado na Universidade Brigham Young, onde foi professor de comportamento organizacional e gestão. Em 1985 fundou o Covey Leadership Center, que em 1997 se fundiu com a Franklin Quest e deu origem à FranklinCovey, empresa de treinamento que existe até hoje. Morreu em julho de 2012, aos 79 anos, em decorrência de complicações de um acidente de bicicleta.
Os 7 Hábitos saiu em 1989 nos Estados Unidos, pela Free Press, e virou um dos livros de negócios mais vendidos da história; a capa da edição brasileira atual fala em mais de 40 milhões de exemplares. No Brasil, é publicado pela BestSeller, do Grupo Editorial Record. A edição comemorativa de 30 anos traz prefácio de Jim Collins e comentários de Sean Covey, filho do autor, ao fim de cada hábito.
A ideia central
A tese de Covey é que eficácia duradoura vem do caráter, não de técnica. Ele estudou a literatura de sucesso americana dos últimos dois séculos e percebeu uma mudança: até o início do século XX, ela falava de integridade, humildade e paciência, a ética do caráter. Depois, passou a falar de técnicas de imagem, atitude positiva e persuasão, a ética da personalidade. Para Covey, técnica sem caráter funciona no curto prazo e quebra no longo.
A segunda ideia é a mudança de dentro para fora. Antes de mudar os resultados ou os outros, é preciso mudar os próprios paradigmas, a forma como enxergamos o mundo. Os hábitos seguem uma sequência de maturidade: da dependência (você cuida de mim) para a independência (eu cuido de mim) e daí para a interdependência (nós fazemos juntos). Os três primeiros hábitos levam à vitória particular; os três seguintes, à vitória pública; o sétimo renova todos os outros.
Resumo parte por parte e hábito por hábito
A edição comemorativa brasileira é dividida em quatro partes: Paradigmas e Princípios, Vitória Particular, Vitória Pública e Renovação. Cada hábito tem um subtítulo de princípios e é seguido por "Novas reflexões", de Sean Covey. Os títulos abaixo são os exatos do sumário da BestSeller.
Primeira parte · De Dentro para Fora
Covey abre com a história de uma viagem de metrô: um pai deixa os filhos fazerem bagunça e não reage, até que conta que a mãe deles morreu horas antes. Num segundo, a irritação de quem observa vira compaixão. É a demonstração do que ele chama de mudança de paradigma. O capítulo apresenta a diferença entre ética do caráter e ética da personalidade e defende que a mudança real começa pela forma como cada um enxerga o mundo.
Primeira parte · Os 7 Hábitos: Uma Visão Geral
Covey define hábito como a interseção de conhecimento (o que fazer), habilidade (como fazer) e desejo (querer fazer). Apresenta o contínuo da maturidade, da dependência à interdependência, e o equilíbrio P/PC: produção e capacidade de produção, ilustrado pela fábula da galinha dos ovos de ouro. Quem mata a galinha para pegar todos os ovos de uma vez fica sem nenhum. Eficácia, para ele, é cuidar dos dois lados.
Hábito 1 · Seja Proativo: Princípios da Visão Pessoal
Entre o que acontece com você e a sua resposta existe a liberdade de escolher. Covey usa a experiência de Viktor Frankl nos campos de concentração para mostrar que essa liberdade sobrevive até nas piores circunstâncias. Ele contrapõe o círculo de preocupação (tudo que nos afeta) ao círculo de influência (o que podemos mudar) e mostra que pessoas proativas concentram energia no segundo, que por isso cresce. Até a linguagem muda: "eu escolho" em vez de "eu tenho que".
Hábito 2 · Comece com o Objetivo em Mente: Princípios da Liderança Pessoal
O exercício mais famoso do livro: imaginar o próprio funeral e o que você gostaria que família, amigos e colegas dissessem. A partir disso, escrever uma declaração de missão pessoal. Covey diferencia liderança (fazer as coisas certas) de gestão (fazer as coisas do jeito certo) e analisa os centros possíveis da vida (cônjuge, dinheiro, trabalho, prazer), defendendo que o único centro estável são princípios.
Hábito 3 · Primeiro o Mais Importante: Princípios do Gerenciamento Pessoal
Aqui está a matriz de gestão do tempo em quatro quadrantes, cruzando urgente e importante. A tese é que o quadrante II, o importante e não urgente (planejamento, prevenção, relacionamentos, desenvolvimento), é onde estão os maiores resultados, e quase sempre é o primeiro a ser sacrificado. Covey propõe planejar a semana por papéis e metas e delegar com clareza de resultado, não de tarefa. É o capítulo mais aplicável do livro.
Terceira parte · Paradigmas da Interdependência
Abre a vitória pública com a metáfora da conta bancária emocional. Cada relação tem um saldo de confiança, e fazemos depósitos (cumprir promessas, entender o outro, pedir desculpas sinceras, cuidar de pequenos gestos) ou retiradas. Com saldo alto, a comunicação flui mesmo com erros; com saldo negativo, qualquer palavra é mal interpretada. É um dos trechos mais lembrados do livro.
Hábito 4 · Pense Ganha/Ganha: Princípios da Liderança Interpessoal
Covey descreve seis paradigmas de interação: ganha/ganha, ganha/perde, perde/ganha, perde/perde, ganha e "ganha/ganha ou não há acordo". Defende que, em relações de longo prazo, só o ganha/ganha se sustenta, e que, quando ele não é possível, é melhor não fechar. Por trás disso está a mentalidade de abundância: a crença de que há o suficiente para todos, em oposição à mentalidade de escassez. Vale muito para negociação.
Hábito 5 · Procure Primeiro Compreender, Depois Ser Compreendido: Princípios da Comunicação Empática
Covey diz que passamos anos aprendendo a ler, escrever e falar, e quase nenhum tempo aprendendo a ouvir. A maioria escuta com intenção de responder, filtrando tudo pela própria experiência. A proposta é a escuta empática: ouvir para entender o ponto de vista e o sentimento do outro, antes de diagnosticar. Só depois vem a parte de ser compreendido, apresentando suas ideias com credibilidade, emoção e lógica. Pra quem trabalha com vendas, é o hábito mais valioso.
Hábito 6 · Crie Sinergia: Princípios de Cooperação Criativa
Sinergia é quando o todo é maior que a soma das partes. Covey defende valorizar as diferenças, porque é delas que surgem soluções melhores, e propõe buscar uma terceira alternativa, diferente da minha e da sua, em vez de um meio-termo em que ninguém fica satisfeito. O capítulo é o mais abstrato da vitória pública e depende muito dos hábitos anteriores para funcionar.
Hábito 7 · Afine o Instrumento: Princípios de Autorrenovação Equilibrada
A quarta parte, Renovação, tem um só hábito. Covey conta a história do lenhador que não para de cortar para afiar o serrote e, por isso, corta cada vez menos. Ele propõe renovar quatro dimensões de forma regular e equilibrada: física, espiritual, mental e social e emocional. O hábito sustenta todos os outros e cria o que ele chama de espiral ascendente de crescimento. O livro fecha com um posfácio de perguntas e respostas com o autor e um apêndice sobre um dia de trabalho no quadrante II.
Os sete hábitos em uma frase cada
- Seja proativo. Você não controla tudo, mas controla sua resposta.
- Comece com o objetivo em mente. Saber como quer ser lembrado define o que fazer hoje.
- Primeiro o mais importante. O quadrante II é onde estão os resultados que a urgência esconde.
- Pense ganha/ganha. Acordo bom é bom para os dois lados, ou não é acordo.
- Procure primeiro compreender. Ouvir para entender vem antes de convencer.
- Crie sinergia. A diferença bem usada gera uma terceira alternativa melhor.
- Afine o instrumento. Sem renovação física, mental, emocional e espiritual, os outros hábitos se desgastam.
Críticas e limitações do livro
A primeira crítica é de base. O livro se apoia em histórias, analogias e na experiência de consultoria de Covey, com pouquíssima pesquisa empírica. A afirmação de que a literatura de sucesso mudou da ética do caráter para a ética da personalidade, por exemplo, vem da leitura dele, não de um estudo sistemático. É um livro de princípios, e deve ser lido assim.
A segunda é de atribuição. A frase "entre o estímulo e a resposta há um espaço", muito associada ao hábito 1 e a Viktor Frankl, não aparece nos livros de Frankl, segundo o próprio Instituto Viktor Frankl, de Viena. Covey contou em outros textos que a leu num livro de biblioteca cujo autor não lembrava. A ideia de liberdade de escolha é de Frankl; a formulação, não.
A terceira é de tom e tamanho. Covey era membro ativo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e o vocabulário moral e as referências a princípios universais dão ao texto um tom pregador em vários trechos. O livro também é longo e repetitivo, e a edição comemorativa, com os comentários de Sean Covey, fica ainda maior. Muita gente para no hábito 3.
Pra quem é e pra quem não é
Pra quem é: quem quer uma base sólida de eficácia pessoal e relacionamento profissional. Gestores e líderes que precisam de um vocabulário comum com a equipe. Profissionais de vendas e negociação, pelos hábitos 4 e 5.
Pra quem não é: quem quer leitura rápida ou técnicas de produtividade com ferramentas digitais. Quem procura pesquisa científica. Quem se incomoda com tom moralista.
Vale a pena ler?
Vale, e eu colocaria entre os livros que todo profissional deveria ler pelo menos uma vez. Os hábitos 1, 3 e 5 sozinhos já mudam a forma de trabalhar: assumir a resposta, proteger o importante e ouvir antes de falar. A recomendação é ler devagar, um hábito por semana, testando cada um antes de seguir.
Pra aprofundar o hábito 1, a resenha de Em Busca de Sentido leva à fonte: a experiência de Viktor Frankl que inspirou Covey. E quem quer levar o hábito 3 ao extremo vai gostar da resenha de Essencialismo, em que Greg McKeown transforma o "primeiro o mais importante" num método inteiro.
Minha nota: 5 de 5 pra quem quer uma base sólida de eficácia pessoal e profissional e tem paciência para um livro longo.
Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, edição BestSeller (Grupo Editorial Record)
Quem quer base sólida de eficácia pessoal: este é o livro.
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Quais são os capítulos de Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes?
A edição comemorativa tem quatro partes: Paradigmas e Princípios (De Dentro para Fora e Os 7 Hábitos: Uma Visão Geral), Vitória Particular (hábitos 1 a 3), Vitória Pública (Paradigmas da Interdependência e hábitos 4 a 6) e Renovação (hábito 7), além de posfácio e apêndices.
Quais são os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes?
Seja proativo; comece com o objetivo em mente; primeiro o mais importante; pense ganha/ganha; procure primeiro compreender, depois ser compreendido; crie sinergia; e afine o instrumento.
Qual o resumo do livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes?
Stephen Covey defende que eficácia duradoura vem do caráter e começa de dentro para fora. Os três primeiros hábitos levam à independência, os três seguintes à interdependência e o sétimo renova todos eles.
Quem é Stephen R. Covey?
Stephen R. Covey (1932-2012) foi um professor, consultor e escritor americano, com MBA em Harvard e doutorado na Universidade Brigham Young. Fundou a empresa que deu origem à FranklinCovey e escreveu também O 8º Hábito.
O que é o quadrante II de Covey?
É o quadrante do importante e não urgente, na matriz de gestão do tempo do hábito 3. Inclui planejamento, prevenção, relacionamentos e desenvolvimento pessoal, atividades que geram os maiores resultados e costumam ser adiadas.
O que é a conta bancária emocional?
É a metáfora de Covey para a confiança numa relação. Cumprir promessas, ouvir de verdade, ser gentil e pedir desculpas sinceras são depósitos; quebrar compromissos e desrespeitar são retiradas. Com saldo alto, a relação tolera erros; com saldo baixo, qualquer conversa vira conflito.
Qual a diferença entre a edição comum e a edição comemorativa?
A edição comemorativa de 30 anos mantém o texto original de Covey e acrescenta prefácio de Jim Collins e as seções Novas reflexões, de Sean Covey, ao fim de cada hábito, com exemplos atuais.
Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes tem em PDF para download?
A versão legal é o livro físico ou o e-book vendido nas lojas oficiais. O PDF gratuito para download costuma ser cópia sem autorização da editora.
Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes é bom? Vale a pena?
Vale pra quem quer uma base de eficácia pessoal e de relacionamento no trabalho. É longo e tem tom moralista em alguns trechos, mas os conceitos continuam sendo referência.
Fontes
Ver as 6 fontes
- Covey, Stephen R. The 7 Habits of Highly Effective People. Nova York: Free Press, 1989.
- Covey, Stephen R. Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes: edição comemorativa. Rio de Janeiro: BestSeller, 2022.
- Sumário da edição comemorativa: pré-visualização no Google Livros
- Sobre o autor: Stephen Covey, Wikipedia
- Sobre a atribuição da frase a Frankl: Viktor Frankl Institut
- Site oficial: franklincovey.com