João Bêrnardino

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A Coragem de Não Agradar: resumo das 5 noites e críticas

Capa do livro A Coragem de Não Agradar: como a filosofia pode ajudar você a se libertar da opinião dos outros, superar suas limitações e se tornar a pessoa que deseja, de Ichiro Kishimi e Fumitake Koga
Livro
A Coragem de Não Agradar: como a filosofia pode ajudar você a se libertar da opinião dos outros, superar suas limitações e se tornar a pessoa que deseja
Autor
Ichiro Kishimi e Fumitake Koga
Editora
Sextante
Pra quem
Quem vive pela aprovação dos outros
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Em resumo

A Coragem de Não Agradar é um diálogo entre um filósofo e um jovem, ao longo de cinco noites, que apresenta a psicologia de Alfred Adler. A tese é que a pessoa não é refém do passado e que boa parte do sofrimento vem da busca por aprovação. Aqui estão o resumo de cada noite pela edição da Sextante, as 7 lições, as críticas e pra quem o livro serve.

O título engana um pouco. A Coragem de Não Agradar não é um livro sobre ser grosso, nem sobre ignorar os outros. É um livro sobre parar de viver em função da aprovação alheia, escrito como uma conversa longa, quase uma peça de teatro, entre um filósofo calmo e um jovem irritado que veio provar que ele está errado.

Quem são Ichiro Kishimi e Fumitake Koga

Ichiro Kishimi nasceu em 1956 em Kyoto, no Japão. É filósofo, especialista em filosofia grega clássica, principalmente Platão, e estudioso da psicologia de Alfred Adler, de quem traduziu obras para o japonês. Trabalhou por anos como conselheiro em clínicas psiquiátricas. Fumitake Koga, nascido em 1973, é escritor profissional e editor de livros de negócios. Foi ele quem procurou Kishimi depois de ler seus livros sobre Adler e propôs o formato de diálogo.

O livro saiu no Japão em 2013 e virou um fenômeno de vendas na Ásia antes de chegar ao Ocidente, em 2018, como The Courage to Be Disliked. No Brasil, foi publicado pela Sextante em 2018, com tradução de Ivo Korytowski e 272 páginas. A editora informa mais de 3 milhões de exemplares vendidos no mundo. A continuação, A Coragem de Ser Feliz, retoma os mesmos personagens.

A ideia central

O livro apresenta Alfred Adler, psiquiatra austríaco contemporâneo de Freud e Jung, menos conhecido que os dois. A ideia mais forte, e mais polêmica, vem logo na primeira noite: o passado não determina quem você é. Para Adler, segundo os autores, não somos movidos por causas (o trauma, a infância) mas por objetivos. A pessoa não deixa de sair de casa por causa da ansiedade; ela produz a ansiedade porque, em algum nível, escolheu não sair. É uma inversão incômoda, e o jovem do livro passa boa parte do tempo brigando com ela.

A segunda ideia é que todos os problemas são problemas de relacionamento. Inveja, vergonha, sensação de inferioridade: tudo surge da comparação com os outros. A saída proposta é a separação de tarefas. Cada pessoa cuida da própria tarefa, e o que os outros pensam de você é tarefa deles, não sua. Daí vem o título: ter coragem de ser malvisto por alguns é o preço da liberdade.

Vale contextualizar quem é Adler. Ele fez parte do círculo de Freud em Viena e rompeu com ele em 1911, por discordar do peso que Freud dava à sexualidade e ao passado. Fundou o que chamou de psicologia individual, que vê a pessoa como um todo indivisível, orientado por metas, e não como um conjunto de impulsos em conflito. A expressão "complexo de inferioridade", hoje usada em qualquer conversa, vem do trabalho dele. Adler também foi pioneiro em aplicar a psicologia à educação e à orientação de pais e professores, e por isso o livro fala tanto de elogio, castigo e encorajamento.

O livro fecha com a ideia de sensação de comunidade: a felicidade vem de sentir que você contribui para algo maior, não de ser reconhecido por isso.

Resumo noite por noite

O livro não tem capítulos numerados. É dividido em cinco noites de conversa, cada uma com um título e várias seções curtas, mais um posfácio. Os títulos abaixo são os exatos da edição da Sextante.

A primeira noite · Negue o trauma

O jovem chega ao gabinete do filósofo disposto a desmontar a tese de que o mundo é simples e qualquer um pode ser feliz. O filósofo apresenta Adler e a diferença entre etiologia (explicar pelo passado) e teleologia (explicar pelo objetivo). Seções como "O trauma não existe", "As pessoas criam a própria raiva" e "A infelicidade é algo que você escolhe para si" sustentam que usamos o passado e as emoções como ferramentas para justificar o que já decidimos fazer. A conclusão da noite: as pessoas podem mudar, mas costumam escolher não mudar, porque o conhecido é mais confortável. A vida é decidida aqui e agora.

A segunda noite · Todos os problemas têm base nos relacionamentos interpessoais

O jovem confessa que não gosta de si mesmo, e o filósofo mostra que esse desgosto também tem um objetivo: evitar se expor e ser rejeitado. A noite separa sentimento de inferioridade, que é subjetivo e pode até estimular o crescimento, de complexo de inferioridade, que vira desculpa. O arrogante, diz o filósofo, também sofre de inferioridade. Seções como "A vida não é uma competição" e "Admitir o erro não é derrota" atacam a comparação constante. Aparecem ainda as tarefas da vida (trabalho, amizade e amor) e a "mentira da vida", o hábito de culpar os outros para não enfrentar essas tarefas.

A terceira noite · Descarte as tarefas das outras pessoas

A noite mais famosa e a que dá o título ao livro. O filósofo propõe negar o desejo de reconhecimento: quem vive para satisfazer as expectativas dos outros vive a vida dos outros. A ferramenta é a separação de tarefas, que consiste em perguntar de quem é a consequência final de uma escolha. Se é do outro, a tarefa é dele, e você não deve interferir nem deixar que interfiram na sua. A liberdade verdadeira, diz o filósofo, é aceitar que algumas pessoas não vão gostar de você. Seções como "Corte o nó górdio" e "Você dá as cartas nos relacionamentos interpessoais" fecham o argumento.

A quarta noite · Onde fica o centro do mundo

Depois de separar tarefas, é preciso reconstruir os vínculos. O filósofo apresenta a sensação de comunidade, a meta dos relacionamentos para Adler, e mostra que quem só se interessa por si mesmo se coloca como centro do mundo, o que não é. Uma das seções mais polêmicas é "Não repreenda nem elogie": elogiar cria uma relação vertical, de quem avalia para quem é avaliado. No lugar, Adler propõe o encorajamento, como agradecer. A noite também trata de como sentir que você tem valor: contribuindo para os outros.

A quinta noite · Viva intensamente no aqui e agora

A noite final junta tudo. Autoconsciência excessiva sufoca o eu; o caminho é a autoaceitação, que é diferente de autoafirmação. O filósofo distingue garantia (confiar nos outros com condições) de confiança (sem condições) e diz que a essência do trabalho é a contribuição para o bem comum. Seções como "A coragem de ser normal" e "A vida é uma série de momentos" defendem viver cada instante como quem dança, sem tratar a vida como uma linha rumo a um destino. A conclusão é que a vida não tem sentido dado; cada pessoa dá o seu.

Posfácio

O livro fecha com um posfácio dos autores, depois da última noite de conversa. É um texto curto, fora do diálogo, em que eles falam da origem do projeto e da relação com o pensamento de Adler. O formato de diálogo, que atravessa o livro todo, segue a tradição dos diálogos de Platão, área de especialidade de Kishimi: o conhecimento é construído no debate, não entregue pronto.

7 ideias que ficam depois da leitura

  1. O passado não decide por você. Você pode usá-lo como desculpa ou deixar de usá-lo.
  2. Emoção também tem objetivo. Antes de dizer "fiquei com raiva", pergunte o que a raiva estava tentando conseguir.
  3. Inferioridade é comparação. O problema não é ser menos que alguém; é viver medindo.
  4. Separe as tarefas. O que os outros pensam de você é tarefa deles.
  5. Liberdade tem preço. Ser malvisto por alguns é consequência de viver a própria vida.
  6. Encoraje em vez de elogiar. Agradecer cria relação horizontal; elogiar cria hierarquia.
  7. Viva em momentos. A vida acontece agora, não no destino que você planejou.

Críticas e limitações do livro

A crítica mais séria é sobre o trauma. Dizer que "o trauma não existe" é uma tese filosófica de Adler, lida pelos autores, e não um consenso da psicologia clínica. O transtorno de estresse pós-traumático é bem documentado, e há evidência de que experiências adversas na infância afetam a saúde por décadas. Quem viveu violência ou abuso pode ler a primeira noite como culpa: se o sofrimento é escolha, a culpa é minha. O livro não diz exatamente isso, mas também não deixa claro o limite. Ele não substitui terapia.

A segunda é sobre o elogio. A proposta de nunca elogiar é radical e não encontra apoio direto em pesquisa. Estudos sobre feedback e motivação, como os de Carol Dweck, mostram que o tipo de elogio importa (elogiar esforço e estratégia funciona melhor do que elogiar talento), o que é diferente de dizer que todo elogio é manipulação.

A terceira é de forma. O jovem é, muitas vezes, um adversário fácil: se irrita, exagera e acaba concordando de um jeito que parece combinado. O diálogo também se repete em vários trechos. E a psicologia de Adler, apresentada aqui de forma bem resumida, tem pouca testagem empírica moderna; o livro é filosofia de vida, não ciência do comportamento.

Pra quem é e pra quem não é

Pra quem é: quem vive preocupado com a opinião dos outros e tem dificuldade de dizer não. Quem gosta de filosofia em formato acessível. Quem quer conhecer Adler sem ler um tratado de psicologia.

Pra quem não é: quem está lidando com trauma grave e precisa de acompanhamento profissional. Quem procura técnica passo a passo. Quem não tem paciência para diálogo longo e repetitivo.

Vale a pena ler?

Vale. A terceira noite, sobre separação de tarefas, é das ideias mais úteis que um livro desse gênero oferece, e serve para trabalho, família e relacionamento. A primeira noite provoca e incomoda, o que é bom, desde que lida com espírito crítico.

Uma sugestão de leitura: uma noite por vez, com intervalo de alguns dias entre elas. O livro funciona melhor quando você tem tempo de testar a ideia antes de seguir. Separar tarefas numa discussão de família ou numa cobrança do chefe ensina mais do que reler o capítulo. E vale ler a quarta noite duas vezes, porque é nela que o livro deixa de ser sobre se proteger dos outros e passa a ser sobre contribuir com eles.

Pra quem gosta da ideia de viver no presente, a resenha de O Poder do Agora trata o tema pela espiritualidade, enquanto este livro faz o mesmo pela filosofia. E a resenha de 12 Regras para a Vida traz outra visão sobre responsabilidade pessoal, com a psicologia de Jordan Peterson.

Minha nota: 4 de 5 pra quem vive pela aprovação dos outros e quer um choque de perspectiva, lido com senso crítico.

Perguntas frequentes

Quais são os capítulos de A Coragem de Não Agradar?

O livro é dividido em cinco noites e um posfácio: A primeira noite, Negue o trauma; A segunda noite, Todos os problemas têm base nos relacionamentos interpessoais; A terceira noite, Descarte as tarefas das outras pessoas; A quarta noite, Onde fica o centro do mundo; e A quinta noite, Viva intensamente no aqui e agora.

Qual o resumo do livro A Coragem de Não Agradar?

É um diálogo de cinco noites entre um filósofo e um jovem que apresenta a psicologia de Alfred Adler. O livro defende que o passado não determina a pessoa, que os problemas vêm dos relacionamentos e que a liberdade exige aceitar não agradar a todos.

A Coragem de Não Agradar fala sobre o quê?

Fala sobre autoestima, raiva, complexo de inferioridade, busca por aprovação, separação de tarefas e sensação de comunidade, a partir das ideias de Alfred Adler, em formato de conversa.

Quem são os autores de A Coragem de Não Agradar?

Ichiro Kishimi é um filósofo japonês nascido em 1956, especialista em Platão e na psicologia de Alfred Adler. Fumitake Koga, nascido em 1973, é escritor e editor de livros de negócios.

O que é a separação de tarefas?

É a ideia central da terceira noite: perguntar de quem é a consequência final de uma escolha. Se a consequência é do outro, a tarefa é dele, e você não deve interferir nem deixar que ele interfira na sua.

Qual a diferença entre A Coragem de Não Agradar e A Coragem de Ser Feliz?

A Coragem de Ser Feliz é a continuação, com os mesmos personagens, três anos depois. O jovem virou professor e volta ao filósofo para contestar a teoria na prática, e o foco passa a ser educação, amor e a aplicação de Adler no dia a dia.

Quantas páginas tem A Coragem de Não Agradar?

A edição impressa da Sextante tem 272 páginas, segundo a ficha técnica da editora.

A Coragem de Não Agradar tem em PDF para download?

A versão legal é o livro físico ou o e-book vendido nas lojas oficiais. O PDF gratuito para download costuma ser cópia sem autorização da editora.

A Coragem de Não Agradar é bom? Vale a pena?

Vale pra quem sofre com a opinião dos outros e quer uma perspectiva filosófica nova. Não vale como substituto de terapia, especialmente pra quem lida com trauma.

Fontes

Ver as 4 fontes

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