João Bêrnardino

Livros

Bíblia Sagrada Ave-Maria: guia católico dos 73 livros

Capa do livro Bíblia Sagrada Ave-Maria: Edição de Estudos, de Tradução dos Monges de Maredsous
Livro
Bíblia Sagrada Ave-Maria: Edição de Estudos
Autor
Tradução dos Monges de Maredsous
Editora
Ave-Maria
Pra quem
Católico que quer estudar a Escritura
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Em resumo

A Bíblia católica reúne 73 livros, 46 do Antigo e 27 do Novo Testamento, e a Igreja a lê junto com a Tradição e o Magistério. Esta página apresenta a Bíblia Ave-Maria, Edição de Estudos, resume cada grupo de livros, dá dicas de leitura, explica a diferença entre a Bíblia católica e a protestante e sugere por onde começar.

Quem escreveu a Bíblia

Para a fé católica, a Bíblia tem Deus como autor e, ao mesmo tempo, autores humanos verdadeiros. A constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, explica que Deus escolheu homens e se serviu deles, com as suas capacidades, para que escrevessem tudo aquilo e só aquilo que Ele queria. Por isso a Escritura é inspirada e ensina com segurança a verdade necessária à salvação, sem deixar de carregar a língua, o estilo e a cultura de cada autor.

São textos escritos ao longo de muitos séculos, em hebraico, aramaico e grego, por profetas, sábios, cronistas, apóstolos e evangelistas. Foi a Tradição Apostólica que levou a Igreja a discernir quais escritos fazem parte da lista dos livros sagrados, o chamado cânon, como lembra o Catecismo da Igreja Católica no número 120.

A Bíblia Ave-Maria é publicada pela Editora Ave-Maria, dos Missionários Claretianos. A tradução foi feita a partir dos originais, com base na versão dos monges beneditinos de Maredsous, na Bélgica, e a primeira edição saiu no Brasil em 1959. É uma das Bíblias católicas mais lidas do país. A Edição de Estudos acrescenta notas explicativas mais aprofundadas, referências paralelas entre passagens e um índice doutrinário, mantendo a linguagem acessível das outras edições.

A ideia central

A Bíblia não é um livro só, é uma biblioteca. Mas a Igreja ensina que essa biblioteca tem um centro: toda a Escritura fala de Cristo e se cumpre em Cristo. O Antigo Testamento prepara e anuncia; o Novo realiza e revela. Santo Agostinho resumiu a relação dizendo que o Novo está escondido no Antigo e o Antigo se torna claro no Novo.

O fio que atravessa os 73 livros é a história da salvação: a criação, a queda, a aliança com Abraão, a libertação do Egito, a Lei, os reis e os profetas, o exílio e a esperança do Messias, até a encarnação, a morte e a ressurreição de Jesus, o nascimento da Igreja e a esperança da vida eterna.

A segunda ideia é própria da leitura católica: a Escritura não se lê sozinha. A Dei Verbum ensina que a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja estão unidos de tal forma que nenhum se sustenta sem os outros. A Bíblia nasceu dentro da Igreja, é proclamada na liturgia e interpretada na fé da Igreja. Por isso o católico lê a Bíblia em comunhão, e não como um texto que cada um interpreta por conta própria.

Resumo por grupos de livros

A Bíblia católica tem 73 livros: 46 no Antigo Testamento e 27 no Novo. Em vez de um resumo livro a livro, esta seção segue os grupos em que a tradição organiza a Escritura.

Antigo Testamento (46 livros)

Pentateuco

Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. São os cinco primeiros livros, que a tradição judaica chama de Torá, a Lei. Contam a criação do mundo e do homem, o pecado original, o dilúvio, a vocação de Abraão e a história dos patriarcas Isaac, Jacó e José. Depois narram a escravidão no Egito, a libertação conduzida por Moisés, a Páscoa, a aliança no Sinai, os Dez Mandamentos e a caminhada do povo pelo deserto até a fronteira da Terra Prometida. É a base de tudo o que vem depois: aliança, lei, culto e promessa.

Livros históricos

Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester e 1 e 2 Macabeus. Contam a entrada na terra, o tempo dos juízes, a monarquia com Saul, Davi e Salomão, a divisão do reino, o exílio na Babilônia e a volta a Jerusalém. Tobias, Judite e os Macabeus mostram a fidelidade a Deus em tempos de perseguição e dispersão. O livro de 2 Macabeus traz, por exemplo, a oração pelos mortos, um dos fundamentos bíblicos que a Igreja cita para a doutrina do purgatório.

Livros sapienciais

Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico. São os livros da oração e da sabedoria. Jó enfrenta a pergunta do sofrimento do justo. Os Salmos são a oração do povo de Deus e da Igreja, rezados todos os dias na Liturgia das Horas. Provérbios e Eclesiástico reúnem conselhos práticos para a vida; Eclesiastes medita sobre a vaidade das coisas passageiras; o Cântico dos Cânticos canta o amor, lido pela tradição como imagem do amor entre Deus e o seu povo. Sabedoria prepara a esperança na imortalidade.

Livros proféticos

Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruc, Ezequiel e Daniel, os chamados profetas maiores, e os doze profetas menores: Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Os profetas chamam o povo à conversão, denunciam a idolatria e a injustiça e anunciam a esperança do Messias. Isaías traz os cânticos do Servo sofredor, que a Igreja lê à luz da Paixão de Cristo, e o anúncio do Emanuel, Deus conosco. Os "maiores" e "menores" se referem ao tamanho dos livros, e não à importância.

Novo Testamento (27 livros)

Evangelhos

Mateus, Marcos, Lucas e João. São o coração de toda a Escritura, porque contam a vida, os ensinamentos, a morte e a ressurreição de Jesus. Mateus, Marcos e Lucas são chamados sinóticos, porque seguem um roteiro parecido; Mateus destaca Jesus como cumprimento das promessas, Marcos é o mais curto e direto, Lucas sublinha a misericórdia e traz os relatos da infância. João é o mais teológico e começa com o Verbo que se fez carne. Na Missa, a leitura do Evangelho é o ponto alto da Liturgia da Palavra.

Atos dos Apóstolos

Escrito pelo mesmo autor do Evangelho de Lucas, conta o começo da Igreja: a Ascensão, a vinda do Espírito Santo em Pentecostes, a pregação de Pedro em Jerusalém, o martírio de Estêvão, a conversão de Paulo e as viagens missionárias que levaram o Evangelho até Roma. É o livro que mostra a Igreja nascente vivendo da oração, do ensino dos apóstolos, da fração do pão e da comunhão fraterna.

Cartas paulinas

Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filêmon. A Carta aos Hebreus costuma ser agrupada com elas, embora a autoria seja discutida desde a Antiguidade. São cartas escritas a comunidades e a pessoas concretas, tratando de fé, graça, vida em Cristo, Igreja, Eucaristia, ressurreição e moral cristã. Primeira Coríntios 13, o hino à caridade, é uma das páginas mais conhecidas da Bíblia.

Cartas católicas

Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João e Judas. São chamadas católicas, no sentido de universais, porque em geral não se dirigem a uma única comunidade. Tiago insiste que a fé sem obras é morta; Pedro fala de esperança e perseverança nas provações; as cartas de João resumem a vida cristã no amor, pois Deus é amor. São textos curtos e práticos, ótimos para a meditação diária.

Apocalipse

O último livro da Bíblia, atribuído pela tradição ao apóstolo João. Escrito em linguagem simbólica, com visões, números e imagens, foi dirigido a comunidades perseguidas. Mais do que um calendário do fim do mundo, é uma mensagem de esperança: Cristo, o Cordeiro imolado, venceu, e a história caminha para a Jerusalém celeste. A Igreja o lê também na liturgia, e a tradição associa a Mulher vestida de sol do capítulo 12 à Virgem Maria.

7 ensinamentos que atravessam a Escritura

  1. Deus é criador e a criação é boa. O mundo e o homem vêm de Deus e não são fruto do acaso.
  2. Deus faz aliança com o seu povo. De Noé e Abraão até a Nova Aliança no sangue de Cristo, Deus se aproxima e se compromete.
  3. O pecado rompe, Deus restaura. A história da salvação é a da misericórdia que sempre oferece o caminho de volta.
  4. Cristo é o centro. Tudo o que veio antes aponta para Ele, e tudo o que vem depois parte d'Ele.
  5. A fé se vive em comunidade. O povo de Israel e a Igreja são o lugar onde Deus fala e age.
  6. Amar a Deus e ao próximo resume a Lei. Os mandamentos se cumprem no amor.
  7. A história tem um fim de esperança. A ressurreição e a vida eterna são a promessa que fecha a Escritura.

Como ler a Bíblia (dicas de leitura)

Leia com a Igreja. O Catecismo propõe três critérios: atender ao conteúdo e à unidade de toda a Escritura, ler na Tradição viva de toda a Igreja e respeitar a analogia da fé, isto é, a coerência das verdades da fé entre si. As notas da Edição de Estudos ajudam justamente nisso.

Respeite o gênero de cada livro. A Dei Verbum pede atenção aos gêneros literários: há narrativa, poesia, lei, profecia, carta e literatura apocalíptica. Um salmo não se lê como uma crônica, nem o Apocalipse como um relatório.

Conheça os sentidos da Escritura. A tradição distingue o sentido literal, que é a base de todos, e o sentido espiritual, que se divide em alegórico, moral e anagógico. Primeiro se entende o que o texto diz; depois, o que ele diz a Cristo, à vida e à eternidade.

Pratique a lectio divina. Bento XVI, na exortação Verbum Domini, descreve os passos: leitura (o que diz o texto), meditação (o que o texto me diz), oração (o que digo a Deus em resposta), contemplação e ação. Um trecho curto, lido devagar, rende mais que capítulos inteiros lidos às pressas.

Siga a liturgia. As leituras da Missa são um plano de leitura pronto. Aos domingos, a Igreja percorre um ciclo de três anos, com Mateus, Marcos e Lucas, e o Evangelho de João aparece sobretudo em tempos fortes. Ler na véspera as leituras do domingo muda a forma de participar da Missa.

Leia com constância. O Catecismo lembra a frase de São Jerônimo: "a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo". Poucos minutos por dia, todos os dias, valem mais do que uma maratona de vez em quando.

Diferença entre a Bíblia católica e a protestante

A Bíblia católica tem 73 livros e a protestante, em geral, 66. A diferença está no Antigo Testamento: a católica inclui sete livros a mais, Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc, além de trechos de Ester e de Daniel, como o cântico dos três jovens e as histórias de Susana e de Bel. A Igreja os chama de deuterocanônicos; muitas tradições protestantes os chamam de apócrifos.

A origem da diferença está nas duas coleções antigas do Antigo Testamento. A Igreja dos primeiros séculos usava amplamente a tradução grega, chamada Septuaginta, que continha esses livros, e eles foram lidos e citados pelos Padres da Igreja. Os reformadores do século 16 adotaram a lista mais curta da tradição judaica em hebraico. Em resposta, o Concílio de Trento, em 1546, confirmou solenemente o cânon de 73 livros, que já constava de concílios anteriores.

O Novo Testamento é igual nas duas: 27 livros. Há ainda diferenças de tradução, de notas e, em alguns casos, de numeração dos Salmos, mas o essencial é este: para o católico, a lista completa é a de 73 livros, recebida pela Tradição da Igreja.

Pra quem é e pra quem não é a Edição de Estudos

Pra quem é: quem já lê a Bíblia e quer entender melhor o contexto, os termos e as ligações entre as passagens; quem participa de grupo de estudo bíblico, catequese ou pastoral; e quem quer começar um estudo pessoal sério com o apoio das notas.

Pra quem não é: quem quer apenas uma Bíblia leve para levar na bolsa à Missa. Nesse caso, uma edição de bolso ou de letra média da própria Ave-Maria resolve melhor. Quem busca estudo acadêmico de exegese, com aparato crítico completo, pode querer complementar com comentários especializados.

Por onde começar

Não precisa começar pelo Gênesis e seguir até o Apocalipse. Para quem está começando, uma ordem que funciona bem:

  1. Um Evangelho inteiro. Marcos é o mais curto; Lucas é ótimo para conhecer a misericórdia de Jesus.
  2. Atos dos Apóstolos. Mostra como a Igreja nasceu e cresceu.
  3. Os Salmos, um por dia. São a escola de oração da própria Bíblia.
  4. Gênesis e Êxodo. Dão o pano de fundo de toda a história da salvação.
  5. Uma carta curta. Filipenses ou Tiago, lidas devagar, com as notas da Edição de Estudos.

Rezar antes de ler, pedindo luz ao Espírito Santo, faz parte do método. Quem quer ver como a Escritura transformou uma vida pode ler a resenha de Confissões, em que Santo Agostinho conta a própria conversão a partir de um trecho de Romanos. E quem quer organizar uma rotina de estudo e oração encontra bons conselhos na resenha de A Vida Intelectual, do frade dominicano Sertillanges.

Perguntas frequentes

Quantos livros tem a Bíblia católica?

A Bíblia católica tem 73 livros: 46 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento, conforme o cânon confirmado pelo Concílio de Trento e listado no Catecismo da Igreja Católica, número 120.

A Bíblia católica tem quantos livros a mais?

Sete livros a mais que a maioria das Bíblias protestantes: Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc, além de trechos de Ester e de Daniel. São os chamados deuterocanônicos.

Quais são os livros da Bíblia católica?

No Antigo Testamento, o Pentateuco, os livros históricos, os sapienciais e os proféticos. No Novo, os quatro Evangelhos, Atos dos Apóstolos, as cartas de São Paulo e Hebreus, as cartas católicas e o Apocalipse.

Quem traduziu a Bíblia Ave-Maria?

A Bíblia Ave-Maria foi traduzida a partir dos originais com base na versão dos monges beneditinos de Maredsous, na Bélgica. A primeira edição brasileira saiu em 1959, pela Editora Ave-Maria, dos Missionários Claretianos.

O que tem de diferente na Bíblia Ave-Maria Edição de Estudos?

Ela mantém o texto da Bíblia Ave-Maria e acrescenta notas explicativas mais aprofundadas, referências paralelas entre as passagens e um índice doutrinário, pensados para estudo pessoal ou em grupo.

Qual a diferença entre a Bíblia católica e a protestante?

A católica tem 73 livros e a protestante, em geral, 66. A diferença está nos deuterocanônicos do Antigo Testamento. O Novo Testamento, com 27 livros, é o mesmo nas duas.

Bíblia Ave-Maria tem em PDF?

A versão legal é a Bíblia impressa ou o digital vendido nas lojas oficiais e nos aplicativos autorizados pela editora. PDF gratuito da Edição de Estudos costuma ser cópia sem autorização, sem as notas atualizadas.

Por onde começar a ler a Bíblia?

Uma boa porta de entrada é um Evangelho inteiro, como Marcos ou Lucas, seguido de Atos dos Apóstolos e de um salmo por dia. As leituras da Missa de cada domingo também são um ótimo plano de leitura.

Fontes

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