João Bêrnardino

Livros

O Poder do Subconsciente, de Joseph Murphy: resumo e crítica

Capa do livro O Poder do Subconsciente, de Joseph Murphy
Livro
O Poder do Subconsciente
Autor
Joseph Murphy
Editora
BestSeller
Pra quem
Quem quer mudar crenças e hábitos mentais
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Em resumo

O Poder do Subconsciente é o clássico de 1963 em que Joseph Murphy defende que aquilo que a mente consciente aceita como verdade o subconsciente transforma em realidade. Aqui estão o resumo dos 20 capítulos, as 7 ideias que se aproveitam, o que a ciência confirma e o que ela desmente, e pra quem o livro serve.

Quem é Joseph Murphy

Joseph Murphy nasceu em 1898 em Ballydehob, no condado de Cork, na Irlanda, e morreu em 1981 em Laguna Hills, na Califórnia. Foi criado católico e chegou a entrar no seminário dos jesuítas, mas saiu ainda jovem. Em 1922 emigrou para os Estados Unidos, onde trabalhou como farmacêutico em Nova York.

Em Los Angeles, nos anos 1940, aproximou-se do movimento do Novo Pensamento. Foi ordenado na Ciência Religiosa por Ernest Holmes e depois passou à Ciência Divina, assumindo em 1949 a igreja dessa linha em Los Angeles, que cresceu sob sua direção. As informações sobre o doutorado dele variam conforme a fonte. Escreveu dezenas de livros, e O Poder do Subconsciente, de 1963, é o mais vendido. No Brasil, a edição da BestSeller, do Grupo Record, tem tradução de Ruy Jungmann e 308 páginas.

A ideia central

Murphy divide a mente em duas: a consciente, que raciocina e escolhe, e a subconsciente, que não discute e executa. A tese do livro inteiro cabe numa frase: o que a mente consciente aceita como verdadeiro, o subconsciente tende a realizar. Por isso, quem muda as crenças muda os resultados.

A imagem que ele usa é a do jardim: você é o jardineiro, os pensamentos são as sementes e o subconsciente é o solo, que faz crescer qualquer coisa que for plantada, flor ou erva daninha. A segunda ideia-chave decorre daí: imaginação e convicção funcionam melhor do que força de vontade. Brigar com um pensamento só o reforça; o caminho é substituí-lo por uma imagem do resultado desejado, repetida com calma, principalmente antes de dormir.

O livro mistura psicologia popular da época, sugestão e hipnose com uma leitura espiritual da Bíblia própria do Novo Pensamento. Esse é o ponto forte e o ponto fraco ao mesmo tempo, como fica claro na parte de críticas.

Resumo capítulo por capítulo

Os títulos dos capítulos seguem a edição original, em tradução livre. O livro abre com uma introdução sobre como a obra pode operar milagres na vida do leitor e segue em 20 capítulos.

Capítulo 1 · O tesouro dentro de você

Murphy abre com a promessa central: existe dentro de cada pessoa uma reserva de poder que quase ninguém usa. O capítulo apresenta a lei da crença, segundo a qual a vida de cada um reflete aquilo em que ele acredita de verdade. Os exemplos são de pessoas que mudaram de situação depois de mudar a forma de pensar. É um capítulo de convite, mais inspirador do que técnico, que prepara o terreno para a explicação de como a mente funciona.

Capítulo 2 · Como a sua mente funciona

Aqui aparece o modelo das duas mentes. A consciente é comparada ao capitão de um navio, que dá ordens; a subconsciente, à tripulação na casa de máquinas, que obedece sem ver para onde o navio vai. O subconsciente não raciocina nem contesta, aceita o que recebe. Daí vem a imagem do jardim e das sementes. É o capítulo-base do livro: quem entender esse modelo entende todo o resto.

Capítulo 3 · O poder milagroso do seu subconsciente

Murphy lembra que o subconsciente cuida de funções que ninguém controla de propósito, como batimentos, digestão e respiração. Daí ele salta para a ideia de que esse mesmo poder pode curar o corpo e resolver problemas quando recebe a ordem certa. A oração, para ele, é aceitar mentalmente que o pedido já foi atendido. É um dos capítulos em que o salto entre fato fisiológico e promessa de cura é mais largo.

Capítulo 4 · Curas mentais nos tempos antigos

O capítulo percorre relatos históricos de curas ligadas a santuários, relíquias, rituais e figuras religiosas. A leitura de Murphy é que, em todos esses casos, o que curou foi a fé do doente atuando sobre o subconsciente, e não o objeto ou o lugar.

Capítulo 5 · Curas mentais nos tempos modernos

Na mesma linha, Murphy reúne relatos mais recentes, do século 19 em diante, ligados a sugestão, hipnose e cura pela mente. O argumento é que a medicina moderna também reconhece o peso do estado mental sobre o corpo. A observação tem base, já que emoção e estresse afetam a saúde, mas o capítulo trata relatos isolados como prova, sem distinguir coincidência, remissão espontânea e efeito placebo.

Capítulo 6 · Técnicas práticas de cura mental

É o capítulo mais operacional. Murphy apresenta métodos para entregar um pedido ao subconsciente: relaxar o corpo, imaginar a cena do resultado já alcançado como num filme mental, repetir afirmações curtas, agradecer como se já tivesse recebido e fazer isso no estado de sonolência antes de dormir. Ele insiste que o tom é de calma e certeza, nunca de esforço. Quem lê o livro buscando ferramentas costuma marcar este capítulo inteiro.

Capítulo 7 · A tendência do subconsciente é a vida

O subconsciente, diz Murphy, está sempre orientado para preservar e curar. Emoções como medo, ódio, ressentimento e culpa vão contra essa tendência e acabam aparecendo no corpo e no comportamento. O capítulo pede que o leitor cuide do que alimenta a mente com o mesmo cuidado que teria com o que come. É uma das partes mais sensatas do livro, porque a relação entre emoções crônicas e saúde é bem documentada.

Capítulo 8 · Como obter os resultados que você quer

Murphy explica por que muita gente tenta e não consegue: esforço demais. Ele usa a ideia do esforço invertido, popularizada antes por Émile Coué: quando vontade e imaginação brigam, a imaginação vence. Quem repete que vai dormir e não dorme, ou que vai lembrar e não lembra, está reforçando o contrário. A saída é relaxar, imaginar o resultado e parar de forçar. É o capítulo com a observação psicológica mais interessante do livro.

Capítulo 9 · Como usar o poder do subconsciente para a riqueza

O método é aplicado ao dinheiro. Murphy recomenda afirmações sobre riqueza feitas antes de dormir, mas alerta que dizer sou rico quando a mente não acredita gera conflito interno. Por isso sugere frases que a mente aceite, centradas na ideia de abundância em movimento. Também condena a inveja: quem critica quem tem dinheiro, diz ele, afasta o dinheiro de si. O raciocínio é coerente com o modelo do livro, mas a ligação causal com o saldo bancário é pura fé.

Capítulo 10 · Seu direito de ser rico

Murphy defende que não há virtude na pobreza e que dinheiro é um símbolo de troca, nem bom nem mau em si. O capítulo combate a culpa de querer prosperar e a ideia de que o dinheiro é a raiz de todo mal. A parte útil é a mudança de postura em relação ao dinheiro; a parte frágil é a sugestão de que a prosperidade é consequência quase automática da atitude mental.

Capítulo 11 · Seu subconsciente como sócio no sucesso

O capítulo propõe três passos para o sucesso: descobrir o que você ama fazer, especializar-se nisso e garantir que o seu trabalho beneficie outras pessoas, não só você. Murphy acrescenta a prática de imaginar o resultado bem-sucedido. É o capítulo mais próximo de um conselho de carreira, e os três passos são razoáveis com ou sem a metafísica que os acompanha.

Capítulo 12 · Como os cientistas usam o subconsciente

Murphy reúne histórias de cientistas e inventores que dizem ter encontrado soluções depois de parar de pensar no problema, muitas vezes ao acordar ou em sonho. A lição é entregar a pergunta ao subconsciente e esperar. Esse fenômeno, que a psicologia chama de incubação, tem algum apoio em pesquisa sobre criatividade e sono, o que dá ao capítulo mais base do que a média do livro.

Capítulo 13 · Seu subconsciente e as maravilhas do sono

O sono, para Murphy, é o momento em que o subconsciente trabalha sem interferência da mente consciente. Por isso ele recomenda entregar pedidos e problemas antes de dormir, com calma e confiança. A ciência confirma que o sono consolida memórias e ajuda a resolver problemas, mas não confirma que se possa programar a mente para objetivos durante ele. Ainda assim, o conselho de cuidar dos pensamentos antes de deitar não faz mal a ninguém.

Capítulo 14 · Seu subconsciente e os problemas conjugais

O capítulo aplica o método ao casamento: imaginar o parceiro certo antes de encontrá-lo, cultivar boa vontade com o cônjuge e não alimentar ressentimentos. Alguns conselhos são sensatos, como não levar as brigas do dia para a cama. Outros refletem a visão do Novo Pensamento sobre o casamento e o divórcio, que não coincide com a doutrina católica sobre o sacramento.

Capítulo 15 · Seu subconsciente e a sua felicidade

A tese é curta: felicidade é uma escolha que se faz todo dia. Murphy pede que o leitor decida ser feliz pela manhã, preste atenção nos pensamentos que cultiva e não deixe a felicidade depender de condições externas. É um capítulo de atitude, simples e útil, que conversa com o que a psicologia positiva diria décadas depois, embora sem os dados.

Capítulo 16 · Seu subconsciente e as relações humanas harmoniosas

O capítulo trata das relações: o que você pensa e sente sobre os outros volta para você. Murphy recomenda a regra de ouro, desejar o bem a quem se convive e não reagir a provocações. Também fala de inveja, crítica e de como lidar com pessoas difíceis. A ideia é antiga e sólida, e é provavelmente o capítulo mais fácil de aplicar no dia a dia.

Capítulo 17 · Como usar o subconsciente para o perdão

Murphy trata o ressentimento como veneno que atinge quem o carrega. Perdoar, para ele, é soltar o outro mentalmente e desejar-lhe o bem até que a lembrança deixe de doer. Também fala de perdoar a si mesmo. O tema é dos mais fortes do livro e conversa com a tradição cristã, ainda que Murphy o trate mais como higiene mental do que como graça.

Capítulo 18 · Como o subconsciente remove bloqueios mentais

O capítulo aborda hábitos destrutivos, como o alcoolismo, e defende que eles se formam e se desfazem pelo mesmo mecanismo: repetição. A proposta é imaginar com frequência a liberdade em relação ao hábito, até que essa imagem se torne mais forte do que o impulso. A lógica da repetição é válida; tratar dependência química só com imaginação, não. Quem enfrenta dependência precisa de acompanhamento profissional.

Capítulo 19 · Como usar o subconsciente para remover o medo

Murphy diz que o medo é um pensamento na mente, e que a forma de vencê-lo é enfrentá-lo, fazendo aquilo que se teme, enquanto se imagina o resultado positivo. Os exemplos vão do medo da água ao medo de falar em público. A recomendação de enfrentar o medo aos poucos se parece com o que a psicologia clínica chama de exposição, e é a parte mais aproveitável do capítulo.

Capítulo 20 · Como permanecer jovem de espírito para sempre

O livro fecha com a idade. Para Murphy, a velhice é uma atitude, não um número, e quem continua aprendendo, criando e servindo envelhece melhor. Ele critica a aposentadoria vista como fim e propõe que seja um começo. É um fecho otimista e generoso, que deixa de lado as promessas de cura e fica num conselho que qualquer médico assinaria: continuar ativo, curioso e útil.

As 7 ideias que se aproveitam

  1. O que você repete vira padrão. Pensamentos repetidos moldam hábitos, com ou sem a metafísica do livro.
  2. Imaginação pesa mais que força de vontade. Brigar com um pensamento costuma reforçá-lo.
  3. Os minutos antes de dormir importam. Encerrar o dia com calma e foco no que se quer é um bom ritual.
  4. Ressentimento faz mal a quem o carrega. Perdoar é também cuidar de si.
  5. Medo se vence enfrentando. Fazer aos poucos aquilo que se teme funciona melhor do que evitar.
  6. Dinheiro não é pecado. Culpa de prosperar atrapalha quem trabalha bem.
  7. Sucesso tem três passos simples. Fazer o que ama, especializar-se e servir aos outros.

Críticas e limitações do livro

A crítica principal é científica. O modelo de duas mentes, uma que manda e outra que obedece sem questionar, é uma simplificação do século 19. A psicologia atual reconhece processos automáticos e não conscientes, como mostra Daniel Kahneman na resenha de Rápido e Devagar, mas eles não funcionam como um gênio que realiza qualquer ordem. Não existe evidência de que imaginar dinheiro ou saúde produza dinheiro ou saúde por um mecanismo mental direto.

A segunda é a das curas. O livro está cheio de relatos de doenças resolvidas pela mente, sem controle nem verificação. O efeito placebo é real, mas uma revisão da Cochrane de 2010 encontrou efeitos modestos, sobretudo em sintomas relatados pelo paciente, como dor e náusea, e não em desfechos objetivos. O livro não substitui orientação médica, e ninguém deveria adiar um tratamento confiando só na sugestão.

A terceira é sobre afirmações. Um estudo de Joanne Wood e colegas, publicado na Psychological Science em 2009, mostrou que repetir frases positivas sobre si mesmo fez pessoas com baixa autoestima se sentirem pior, justamente porque a frase brigava com o que elas acreditavam. O próprio Murphy intui esse risco no capítulo 9, o que é um mérito, mas o livro ainda promete demais.

Pra quem é e pra quem não é

Pra quem é: quem está preso em pensamentos negativos repetitivos e quer um empurrão para cuidar do que alimenta a mente, adotar rituais de calma e enfrentar medos. Também serve a quem quer entender a raiz de boa parte da autoajuda de prosperidade.

Pra quem não é: quem enfrenta doença, depressão ou dependência química e espera do livro um tratamento. E quem quer um texto apoiado em pesquisa vai se irritar com os relatos sem verificação.

Vale a pena ler?

Vale, com filtro. O livro é um clássico e ajudou muita gente a parar de alimentar pensamentos destrutivos. Os capítulos 8, 16, 17 e 19 são os melhores; os capítulos de cura, 3 a 6, são os mais frágeis. Eu leria como um livro de atitude mental e de hábitos, não como explicação de como o mundo funciona.

Quem gosta da linha de prosperidade pode comparar com a resenha de Quem Pensa Enriquece, de Napoleon Hill, que bebe da mesma fonte.

Minha nota: 4 de 5 pra quem quer mudar a conversa interna, lido com senso crítico sobre as promessas de cura e riqueza.

Perguntas frequentes

Quais são os capítulos de O Poder do Subconsciente?

São 20 capítulos, que vão do funcionamento da mente (1 a 3) às curas mentais (4 a 7), aos resultados, riqueza e sucesso (8 a 12), ao sono e às relações (13 a 17) e a bloqueios, medo e juventude de espírito (18 a 20).

Qual o resumo de O Poder do Subconsciente?

Joseph Murphy defende que o subconsciente realiza aquilo que a mente consciente aceita como verdade. Com afirmações, visualização e calma antes de dormir, o leitor reprogramaria crenças sobre saúde, dinheiro, relacionamentos e medo.

Quem foi Joseph Murphy?

Joseph Murphy (1898 a 1981) foi um escritor e ministro irlandês radicado nos Estados Unidos, ligado ao movimento do Novo Pensamento. Dirigiu por décadas uma igreja da Ciência Divina em Los Angeles e escreveu dezenas de livros.

O Poder do Subconsciente é bom?

É bom como livro de atitude mental: ajuda a cuidar dos pensamentos, perdoar e enfrentar medos. É fraco como ciência, porque apresenta curas e enriquecimento pela mente sem evidência.

O Poder do Subconsciente tem base científica?

Em parte. Hábitos mentais, emoções e expectativas afetam comportamento e bem-estar, mas a ideia de que o subconsciente realiza qualquer ordem, inclusive curas e dinheiro, não tem comprovação.

O Poder do Subconsciente tem em PDF para download?

A versão legal é o livro físico ou o digital vendido nas lojas oficiais. PDF gratuito costuma ser cópia sem autorização da tradução.

Quantas páginas tem O Poder do Subconsciente?

A edição da BestSeller tem 308 páginas, com tradução de Ruy Jungmann. Há também edições de bolso com menos páginas.

Existe filme de O Poder do Subconsciente?

O livro não é um filme. As buscas costumam misturar o livro com documentários e vídeos sobre lei da atração, como O Segredo, que tratam de ideias parecidas.

Fontes

Ver as 6 fontes
  • Murphy, Joseph. The Power of Your Subconscious Mind. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1963.
  • Murphy, Joseph. O Poder do Subconsciente. Tradução de Ruy Jungmann. Rio de Janeiro: BestSeller, 308 páginas. Página do livro no Grupo Record
  • Sumário da edição original: Open Library
  • Biografia do autor: Joseph Murphy, Wikipedia
  • Hróbjartsson, A.; Gøtzsche, P. C. Placebo interventions for all clinical conditions. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2010. PubMed
  • Wood, J. V.; Perunovic, W. Q. E.; Lee, J. W. Positive self-statements: power for some, peril for others. Psychological Science, 2009. PubMed

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