João Bêrnardino

Livros

Quem Pensa Enriquece, de Napoleon Hill: resumo e 13 passos

Capa do livro Quem Pensa Enriquece: o legado, de Napoleon Hill
Livro
Quem Pensa Enriquece: o legado
Autor
Napoleon Hill
Editora
Citadel
Pra quem
Quem precisa de foco e disciplina
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Em resumo

Quem Pensa Enriquece é a edição brasileira de Think and Grow Rich, o livro de 1937 em que Napoleon Hill diz ter reunido a fórmula do sucesso de centenas de homens ricos. A tese: um desejo definido, sustentado por fé, plano e persistência, se transforma em resultado concreto. Aqui estão os 13 passos capítulo por capítulo, a diferença entre as edições, as 7 lições, as críticas ao autor e pra quem o livro serve.

Quem é Napoleon Hill

Napoleon Hill nasceu em 1883 em Pound, no interior da Virgínia, e morreu em 1970 em Greenville, na Carolina do Sul. Trabalhou como jornalista e, segundo a versão que ele próprio contou, em 1908 entrevistou o industrial Andrew Carnegie, que o desafiou a estudar os homens mais bem-sucedidos dos Estados Unidos e a transformar o que eles tinham em comum numa filosofia do sucesso. Desse projeto saíram A Lei do Sucesso, de 1928, e Think and Grow Rich, de 1937, publicado pela Ralston Society.

Think and Grow Rich virou um dos livros de autoajuda mais vendidos da história, embora os números exatos sejam disputados. Hill escreveu também Mais Esperto que o Diabo, terminado em 1938 e publicado só em 2011, e assinou com o empresário W. Clement Stone o livro Success Through a Positive Mental Attitude, de 1960. A Fundação Napoleon Hill, criada em 1963, cuida da obra até hoje.

Quem Pensa Enriquece, o legado e Pense e Enriqueça: qual é qual

As três coisas são o mesmo livro de 1937 em versões diferentes. Pense e Enriqueça é o título de outras traduções brasileiras de Think and Grow Rich. Quem Pensa Enriquece é o título usado pela Citadel, que publica tanto uma versão do texto original de 1937 quanto Quem Pensa Enriquece: o legado.

O legado, lançado pela Citadel em 2018, com tradução de Maya Guimarães e 368 páginas, é a edição atualizada e comentada pela Fundação Napoleon Hill para o século 21. A capa traz exatamente essa descrição. A editora apresenta o livro como o clássico anotado e acrescido de exemplos modernos. Ou seja: o texto de Hill continua lá, com notas e casos atuais que mostram os princípios aplicados a empresários de hoje. Para quem quer o texto puro, a versão original basta. Para quem acha os exemplos de 1937 distantes, o legado ajuda.

A ideia central

A tese do livro está no título: pensamentos, quando combinados com propósito definido, persistência e um desejo ardente, viram realidade material. Hill diz que todo resultado começa como uma ideia e que a maioria das pessoas fracassa por não saber o que quer.

A fórmula é organizada em 13 passos, do desejo ao sexto sentido. Dois deles são os mais importantes na leitura de Hill e da fundação: o propósito definido, que é saber exatamente o que se quer e quando, e o Master Mind, a aliança de duas ou mais pessoas trabalhando em harmonia por um objetivo comum. Um dos casos usados por Hill é o de R. U. Darby, que desistiu de uma mina de ouro a poucos passos do veio, para mostrar o custo de parar cedo.

Resumo capítulo por capítulo

O livro tem uma introdução, 13 capítulos que correspondem aos 13 passos e um capítulo final sobre o medo. Os títulos dos capítulos seguem a edição original, em tradução livre; a edição O legado mantém essa estrutura e acrescenta os comentários da fundação.

Capítulo 1 · Introdução: os pensamentos são coisas

Hill abre com Edwin C. Barnes, um homem sem dinheiro que decidiu virar sócio de Thomas Edison e conseguiu, depois de anos trabalhando na empresa dele sem desistir do objetivo. Conta também a história de R. U. Darby, que parou de cavar uma mina a menos de um metro do veio de ouro, e depois virou vendedor de seguros que não desistia diante do primeiro não. A introdução apresenta a ideia de que o desejo definido, com persistência, é a semente de todo resultado.

Capítulo 2 · Desejo: o ponto de partida de toda conquista (1º passo)

O primeiro passo é um desejo ardente, não uma vontade vaga. Hill propõe seis etapas: definir o valor exato que se quer, decidir o que dará em troca, fixar uma data, criar um plano e começar já, escrever tudo numa declaração e lê-la em voz alta duas vezes por dia. Usa a imagem do general que queima os barcos para não haver recuo. Conta também a história do filho, Blair, que nasceu sem as orelhas e, segundo Hill, aprendeu a ouvir graças à persistência do pai.

Capítulo 3 · Fé: visualização e crença na realização do desejo (2º passo)

A fé, para Hill, é um estado de espírito que pode ser induzido pela repetição de afirmações ao subconsciente. Ele apresenta uma fórmula de autoconfiança em cinco pontos, para ser memorizada e repetida. E conta como o discurso de Charles M. Schwab num jantar em Nova York teria levado à criação da U.S. Steel. O capítulo mistura motivação com afirmações sobre o poder da crença que hoje não têm respaldo científico.

Capítulo 4 · Autossugestão: o meio de influenciar o subconsciente (3º passo)

Autossugestão é a ponte entre a mente consciente e a subconsciente. Hill recomenda repetir a declaração do capítulo 2 com emoção, sozinho, de manhã e à noite, visualizando o dinheiro como se já fosse seu. Diz que palavras sem emoção não produzem efeito. É o capítulo que mais influenciou a literatura de afirmações e de lei da atração, e também o que menos se sustenta como técnica comprovada.

Capítulo 5 · Conhecimento especializado: experiências ou observações pessoais (4º passo)

Conhecimento geral não enriquece ninguém; o que vale é o conhecimento organizado e aplicado. Hill conta o processo em que Henry Ford, acusado de ignorância, respondeu que podia chamar a qualquer hora quem soubesse a resposta. A lição é que ninguém precisa saber tudo, mas precisa saber onde buscar. O capítulo defende estudo contínuo depois da escola e termina com ideias sobre vender serviços pessoais e criar negócios a partir de conhecimento.

Capítulo 6 · Imaginação: a oficina da mente (5º passo)

Hill separa a imaginação sintética, que recombina ideias existentes, da criativa, que traz o novo. Conta como uma fórmula de um velho farmacêutico teria virado a Coca-Cola nas mãos de Asa Candler, e a história do pastor Frank Gunsaulus, que teria levantado um milhão de dólares com um sermão para fundar uma escola. A ideia: ideias são o ponto de partida de qualquer fortuna, e quem combina imaginação com plano cria valor onde outros não veem nada.

Capítulo 7 · Planejamento organizado: a cristalização do desejo em ação (6º passo)

O capítulo mais longo e mais prático. Hill ensina a montar um grupo de apoio, o Master Mind, a traçar planos e a refazê-los quando falham. Lista atributos de liderança, causas de fracasso dos líderes e trinta causas gerais de fracasso. Fala de como vender serviços pessoais, com a fórmula qualidade, quantidade e espírito de cooperação, e propõe um questionário de autoavaliação. É onde o livro mais se aproxima de um manual de carreira, e também o trecho mais cansativo, com conselhos de procura de emprego dos anos 1930.

Capítulo 8 · Decisão: o domínio da procrastinação (7º passo)

Hill diz que, ao analisar milhares de pessoas que fracassaram, encontrou a falta de decisão perto do topo da lista de causas. Quem tem sucesso decide rápido e muda de ideia devagar; quem fracassa faz o contrário. Ele recomenda não ouvir opinião de todo mundo e guardar os planos para o Master Mind. Usa como exemplo a decisão dos signatários da Declaração de Independência americana, que arriscaram a própria vida ao assinar.

Capítulo 9 · Persistência: o esforço contínuo necessário para induzir a fé (8º passo)

Persistência é força de vontade aplicada ao desejo. Hill lista sintomas da falta de persistência, como procrastinação, indecisão, desculpas e dependência da opinião alheia, e propõe quatro passos para criar o hábito: propósito definido, plano, mente fechada a influências negativas e aliança com quem apoia o objetivo. Para ele, a persistência é o que transforma o desejo em resultado, e sua falta é uma das maiores causas de fracasso.

Capítulo 10 · O poder do Master Mind: a força motriz (9º passo)

Master Mind é a coordenação de conhecimento e esforço de duas ou mais pessoas, em harmonia, por um propósito definido. Hill vê dois efeitos: o econômico, de juntar competências, e o psíquico, uma espécie de terceira mente que surge da união. Atribui a fortuna de Carnegie a um grupo de cerca de cinquenta pessoas. A parte econômica é o que hoje chamaríamos de conselho, rede ou time; a psíquica é crença do autor.

Capítulo 11 · O mistério da transmutação do sexo (10º passo)

O capítulo mais estranho para o leitor de hoje. Hill afirma que a energia sexual, desviada para o trabalho, é a maior força criativa do ser humano, e que por isso poucos homens têm grande sucesso antes dos quarenta anos. O argumento é especulativo e não tem base científica. O que sobra de útil é a ideia de canalizar emoções fortes para objetivos de longo prazo.

Capítulo 12 · O subconsciente: o elo de ligação (11º passo)

O subconsciente recebe e guarda tudo o que chega a ele, e trabalha sobre os desejos dominantes. Hill lista sete emoções positivas, como desejo, fé e amor, e sete negativas, como medo, ódio e raiva, e diz que as duas não podem ocupar a mente ao mesmo tempo. O trabalho é alimentar o subconsciente com as positivas, por meio da autossugestão do capítulo 4.

Capítulo 13 · O cérebro: uma estação transmissora e receptora do pensamento (12º passo)

Hill compara o cérebro a uma estação de rádio que transmite e recebe pensamentos, e diz que a imaginação criativa é o receptor. O capítulo fala de forças intangíveis e do poder da mente estimulada por emoção e pelo Master Mind. É mais metáfora e especulação do que conteúdo aplicável, e pode ser lido como poesia sobre o poder do pensamento.

Capítulo 14 · O sexto sentido: a porta do templo da sabedoria (13º passo)

O último passo é o sexto sentido, que Hill descreve como a parte do subconsciente que dá acesso a ideias e intuições. Ele conta que, por anos, fazia reuniões imaginárias com um conselho de nove homens que admirava, entre eles Emerson, Lincoln, Edison, Darwin, Ford e Carnegie, para pedir conselhos. Para quem lê com olhar prático, o exercício funciona como técnica de reflexão: perguntar como alguém que você admira resolveria o problema.

Capítulo 15 · Como derrotar os seis fantasmas do medo

O fechamento trata dos medos que bloqueiam os passos anteriores: medo da pobreza, da crítica, da doença, da perda do amor, da velhice e da morte. Hill descreve os sintomas de cada um e diz que o medo é só um estado mental, que pode ser controlado. Acrescenta um sétimo mal, a suscetibilidade a influências negativas. É um dos capítulos mais úteis do livro, porque nomeia com clareza o que trava decisões.

As 7 ideias que fazem o livro atravessar quase 90 anos

  1. Saiba exatamente o que quer. O propósito definido, com número e prazo, é o primeiro passo.
  2. Escreva o objetivo e releia todo dia. A declaração do capítulo 2 é a parte mais aplicável do método.
  3. Ninguém chega sozinho. O Master Mind é uma ideia que hoje chamaríamos de rede ou conselho.
  4. Saber onde buscar vale mais do que saber tudo. É a lição de Henry Ford no capítulo 5.
  5. Decida rápido e mude devagar. A procrastinação aparece no topo das causas de fracasso.
  6. Persistência é hábito, não traço. O capítulo 9 dá quatro passos para treiná-la.
  7. Nomeie o medo que está travando você. Os seis fantasmas do capítulo 15 funcionam como checklist.

Críticas e limitações do livro

A crítica mais séria é sobre o autor. Não há evidência de que Hill tenha conhecido Andrew Carnegie, a história que sustenta todo o livro. O biógrafo de Carnegie, David Nasaw, disse não ter encontrado nenhum registro de encontro entre os dois. Em 2016, o jornalista Matt Novak, no site Gizmodo, publicou uma investigação descrevendo Hill como um vigarista, com negócios envolvidos em acusações de fraude antes da fama. A ideia de que ele entrevistou mais de quinhentos milionários também não é verificável.

A segunda é sobre o método. Muitas afirmações do livro são pensamento mágico: a fé que cura, o cérebro como estação de rádio, a transmutação da energia sexual, o sexto sentido. O livro também sofre de viés de sobrevivência: conta quem desejou, persistiu e venceu, e ignora quem fez o mesmo e quebrou. Persistir numa ideia ruim não leva ao ouro, leva ao prejuízo.

A terceira é de contexto e de autoria. Os exemplos são dos Estados Unidos dos anos 1900 a 1930, e alguns trechos sobre mulheres e sobre sexo envelheceram mal. Além disso, a primeira esposa de Hill, Rosa Lee Beeland, teve participação importante na redação e na edição do texto, um crédito que raramente aparece. A edição O legado ajuda no contexto, mas não corrige as fragilidades de base.

Pra quem é e pra quem não é

Pra quem é: quem está sem direção e precisa transformar vontade em objetivo concreto, com número e prazo. Quem gosta de autoajuda clássica e quer conhecer a origem de boa parte do gênero. Vendedores e empreendedores que precisam de combustível para persistir.

Pra quem não é: quem procura método de investimento ou de finanças pessoais, porque o livro não ensina nada disso. Quem se incomoda com afirmações sem base científica. Quem está em momento frágil e pode ler "se não deu certo, é porque você não desejou o suficiente" como culpa.

Vale a pena ler?

Vale, com olhar crítico. Os capítulos 2, 7, 9 e 15 são os que mais servem para a vida prática: objetivo escrito, planejamento, persistência e medo. A parte mística pode ser lida como metáfora ou pulada sem prejuízo. A edição O legado é a melhor porta de entrada para quem acha o texto de 1937 distante, por causa dos comentários.

Quem gostou da parte de persistência e medo encontra a continuação natural na resenha de Mais Esperto que o Diabo, o livro de Hill sobre a "deriva", que ficou décadas engavetado. E quem quer o lado de vendas e persuasão do autor pode ler a resenha de Quem Convence Enriquece.

Minha nota: 4 de 5 pra quem precisa de foco e disciplina e consegue separar o que é princípio útil do que é crença do autor.

Perguntas frequentes

Quais são os capítulos de Quem Pensa Enriquece?

O livro tem introdução (Os pensamentos são coisas), 13 capítulos que correspondem aos 13 passos (Desejo, Fé, Autossugestão, Conhecimento especializado, Imaginação, Planejamento organizado, Decisão, Persistência, Master Mind, Transmutação do sexo, Subconsciente, Cérebro e Sexto sentido) e um capítulo final sobre os seis fantasmas do medo.

Qual o resumo de Quem Pensa Enriquece?

Napoleon Hill defende que todo resultado começa como pensamento, e que um desejo definido, com fé, plano, persistência e uma aliança de apoio, o Master Mind, se transforma em realidade. O método é apresentado em 13 passos, ilustrados com histórias de empresários americanos do começo do século 20.

Qual a diferença entre Quem Pensa Enriquece e Quem Pensa Enriquece: o legado?

As duas são da Citadel e trazem o mesmo livro de Hill, Think and Grow Rich. A versão original reproduz o texto de 1937. O legado é a edição atualizada e comentada pela Fundação Napoleon Hill para o século 21, com notas e exemplos modernos.

Qual a diferença entre Quem Pensa Enriquece e Pense e Enriqueça?

Não há diferença de obra: os dois são traduções de Think and Grow Rich, de 1937. Pense e Enriqueça é o título de outras traduções brasileiras; Quem Pensa Enriquece é o título da Citadel.

Quem é Napoleon Hill?

Napoleon Hill (1883-1970) foi um escritor americano de autoajuda, autor de A Lei do Sucesso e Think and Grow Rich. Ele dizia ter construído sua filosofia a pedido de Andrew Carnegie, mas historiadores não encontraram prova de que os dois tenham se conhecido.

Quem Pensa Enriquece tem em PDF para download?

A versão legal é o livro físico ou o e-book vendido nas lojas oficiais da Citadel. O PDF gratuito que circula em drives e sites costuma ser cópia sem autorização da editora, inclusive no caso da edição O legado.

Quem Pensa Enriquece: o legado é bom?

É uma boa edição para quem quer ler Hill pela primeira vez, porque os comentários da fundação aproximam o texto de 1937 do leitor de hoje. Quem prefere o texto puro pode ficar com a versão original.

Quem Pensa Enriquece vale a pena?

Vale pra quem precisa transformar vontade em objetivo concreto e ganhar disciplina. Não vale como livro de finanças, e as partes sobre fé, sexto sentido e transmutação devem ser lidas como crença do autor, não como ciência.

Fontes

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