João Bêrnardino

Livros

As 16 Leis do Sucesso, de Napoleon Hill: resumo e adaptação

Capa do livro As 16 Leis do Sucesso, de Napoleon Hill (adaptação de Jacob Petry)
Livro
As 16 Leis do Sucesso
Autor
Napoleon Hill (adaptação de Jacob Petry)
Editora
Faro Editorial
Pra quem
Quem quer Hill em versão curta
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Em resumo

As 16 Leis do Sucesso é a adaptação condensada e comentada que o jornalista Jacob Petry fez de A Lei do Triunfo, o curso de Napoleon Hill de 1928. A tese é a do original: sucesso segue leis que se aprendem, a começar por um propósito definido e pela Mente Mestra. Aqui está o resumo lei por lei, o que a adaptação muda em relação ao livro de Hill, as críticas e pra quem vale a pena.

Antes de tudo, um aviso que muita gente só descobre depois de comprar: As 16 Leis do Sucesso não é um livro novo de Napoleon Hill. É uma versão condensada, adaptada e comentada de A Lei do Triunfo, o curso que Hill publicou em 1928. Quem fez a adaptação foi o brasileiro Jacob Petry, e a capa da Faro Editorial diz isso com todas as letras: edição adaptada e comentada. As ideias são de Hill. O corte, a ordem e a linguagem são de Petry.

Por isso esta resenha tem dois focos: o que as 16 leis dizem e o que muda quando 672 páginas viram 304.

Quem é Napoleon Hill e quem é Jacob Petry

Napoleon Hill nasceu em 1883 na Virgínia e morreu em 1970. Foi jornalista e, pela versão que ele mesmo contou, recebeu de Andrew Carnegie em 1908 a missão de estudar os homens mais bem-sucedidos dos Estados Unidos e transformar o que tinham em comum numa filosofia. O resultado saiu em 1928 como The Law of Success, um curso em 16 lições, e em 1937 virou o livro mais famoso dele, Think and Grow Rich, no Brasil Quem Pensa Enriquece.

Jacob Petry é jornalista e pesquisador brasileiro naturalizado americano, formado em filosofia, que escreve sobre filosofia da mente e psicologia aplicada aos negócios. Pela Faro Editorial publicou, entre outros, O Óbvio que Ignoramos, Poder e Manipulação (uma releitura moderna de O Príncipe) e Seja Singular!, com Valdir Bündchen. As 16 Leis do Sucesso saiu em junho de 2017, com 304 páginas.

A ideia central

A tese é a de Hill, sem tirar nem pôr: sucesso não é sorte nem talento raro, é a aplicação de leis que qualquer pessoa pode aprender e treinar. As 16 leis vão do propósito definido à regra de ouro e funcionam como degraus: uma sustenta a outra.

O que a adaptação muda é a porta de entrada. No original, a primeira lição é o Master Mind, com toda a conversa sobre química das mentes e vibrações. Na versão de Petry, o livro abre pelo propósito: "Crie um propósito" é a primeira lei, e a Mente Mestra vem em segundo. A mudança parece pequena, mas muda o tom. O leitor começa pelo que é prático (saber o que quer) e não pela parte mais mística do curso.

O que a adaptação muda em relação a A Lei do Triunfo

Tamanho. A edição completa da José Olympio tem 672 páginas. A da Faro tem 304. Saem as repetições, as longas "visitas depois da lição", boa parte dos casos de época e os testes de autoavaliação do original.

Ordem. Propósito e Mente Mestra trocam de lugar, como explicado acima. O restante segue a sequência de Hill: autoconfiança, economia, iniciativa, imaginação, entusiasmo, autocontrole, fazer mais do que o pago, personalidade agradável, pensamento preciso, concentração, cooperação, fracasso, tolerância e regra de ouro.

Linguagem. O texto de 1928 é prolixo e cheio de referências a um mundo que não existe mais. Petry escreve em português atual, com frases mais curtas, e comenta as leis em vez de só traduzi-las.

O que se perde. Junto com o excesso vão a textura do original e parte do contexto histórico, que ajuda a entender de onde vêm as ideias e por que algumas envelheceram mal. Quem lê só a adaptação recebe as conclusões sem o raciocínio inteiro.

Um detalhe de mercado: a Faro também passou a vender a obra em volumes separados, e o primeiro se chama Crie um Propósito na Vida. Não confunda com um livro diferente.

Resumo lei por lei

O livro tem 16 capítulos, um por lei. Os nomes abaixo seguem as 16 leis na ordem da adaptação de Petry; podem não ser os títulos literais impressos no sumário da Faro, que não consegui conferir.

Lei 1 · Crie um propósito

A pedra fundamental. A maioria das pessoas desperdiça energia porque não sabe o que quer. Petry pede que o leitor encontre algo que una gosto, talento e geração de renda, e concentre ali pensamento e esforço. É o "objetivo principal definido" de Hill: escrito, com prazo e plano, lido todos os dias até virar hábito mental. Abrir o livro por aqui é a principal decisão editorial da adaptação, e a mais acertada.

Lei 2 · A Mente Mestra

A coordenação de conhecimento e esforço entre duas ou mais pessoas, em harmonia, para um propósito definido. Na prática, é escolher bem com quem você anda: gente que complementa suas habilidades e puxa o seu nível pra cima, e distância de quem drena energia. Na versão de Petry, o conceito chega mais perto do que hoje se chama conselho consultivo ou grupo de mentoria, e mais longe da química mística do original.

Lei 3 · Autoconfiança

Hill notou que os entrevistados tinham autoconfiança alta, e a lei ensina a construí-la. O caminho passa por identificar os medos que a corroem, como o da pobreza e o da crítica, e por usar a autossugestão: repetir diariamente o que você quer acreditar sobre si. A adaptação reforça um ponto útil: transformar o obstáculo em matéria-prima, olhando pros próprios pontos fortes com frequência.

Lei 4 · O hábito da economia

Ninguém enriquece gastando tudo o que ganha, e o livro não abre exceção pra essa regra. A lei pede uma fatia fixa da renda separada todo mês, antes de qualquer gasto, e decisões financeiras ligadas ao propósito. É das leis que envelheceram melhor. Petry junta a ela a ideia de mentalidade de abundância, que é a parte mais frágil: poupar é comportamento verificável, abundância é estado de espírito.

Lei 5 · Iniciativa e liderança

Conhecer as leis não serve de nada sem execução. Iniciativa é fazer o que precisa ser feito sem que alguém mande, e liderança nasce de quem age primeiro. O inimigo nomeado é a procrastinação. A lição tem um lado útil pra quem trabalha em empresa: quem toma a frente de um problema que não é seu costuma ser lembrado na hora da promoção.

Lei 6 · Explore sua imaginação

Tudo começa como ideia. A imaginação combina conhecimentos antigos de formas novas, e o livro propõe um caminho em quatro etapas: elaborar a ideia, checar se é executável, organizar em planos e transformar os planos em realidade pela iniciativa. É a lei que mais conversa com inovação e empreendedorismo. Sozinha, a imaginação vira devaneio; junto com a lei anterior, vira projeto.

Lei 7 · Alimente seu entusiasmo

Entusiasmo é o combustível que mantém a pessoa em movimento quando a motivação inicial passa. A receita é pensar constantemente no propósito até que ele gere emoção, e a emoção contamine quem está em volta. Hill tratava o entusiasmo quase como força física; a adaptação o apresenta como hábito. Pra vendedor, é a lei mais óbvia: cliente percebe quando quem vende não acredita no que vende.

Lei 8 · Autocontrole

Entusiasmo sem freio vira problema. O autocontrole é a capacidade de dominar pensamentos e emoções, e o livro aproxima a lei do que hoje se chama inteligência emocional. A ideia é que os pensamentos dominantes conduzem os atos, então quem não controla a própria cabeça é conduzido por ela. A lição vale pra negociação, liderança e qualquer conversa difícil.

Lei 9 · Faça sempre mais do que o exigido

Quem ganha mais é quem serve melhor. Entregar acima do que o salário ou o contrato pedem constrói reputação e, com o tempo, retorno maior que o esforço extra. É a lei mais conhecida de Hill e a que mais aparece em palestras. O risco, que o livro não discute, é virar desculpa pra trabalho não pago em ambiente que nunca vai recompensar o excesso.

Lei 10 · Desenvolva uma personalidade agradável

Gentileza, honestidade, interesse genuíno pelos outros, firmeza ao falar, roupa adequada à ocasião e até o aperto de mão entram aqui. Petry sugere observar quem você admira e copiar os hábitos que funcionam. É o capítulo mais datado em detalhe e mais atual em essência: confiança e simpatia continuam abrindo porta, como mostram as pesquisas de persuasão feitas décadas depois.

Lei 11 · Pense com precisão

Pensar com precisão é separar fato de opinião e boato antes de decidir. Hill dizia que a maioria das pessoas forma juízo a partir de fofoca, preconceito e desejo. A lei manda verificar a fonte e desconfiar do que agrada demais. É a lei mais útil do livro pra um mundo de redes sociais, e a que mais merecia espaço extra na adaptação.

Lei 12 · Concentração

Concentração é manter a mente no propósito até ele se realizar. O livro sugere ler e repassar o objetivo várias vezes por dia, fazer uma coisa de cada vez e treinar a atenção, inclusive com meditação. Também lembra que o ambiente pesa: as pessoas com quem você convive influenciam onde sua atenção vai parar. É a lei que se liga mais diretamente à primeira.

Lei 13 · Cooperação

Os entrevistados de Hill não acreditavam em sucesso solitário. Cooperação é o esforço coordenado de muitas pessoas, de funcionários a parceiros e até concorrentes, vistos como participantes do jogo, não inimigos. A lei amplia a Mente Mestra do pequeno grupo pra organização inteira. É a base do argumento de que liderar é conseguir que outros queiram trabalhar junto.

Lei 14 · Aprenda a tirar proveito dos fracassos

Derrota temporária não é fracasso. Fracasso é desistir sem aprender. A lei trata a queda como etapa do caminho e pede mente aberta pra entender o que ela ensina. É a lição de Hill que mais conversa com a ideia moderna de mentalidade de crescimento. A ressalva é a mesma do original: o livro só conta os fracassos que viraram sucesso depois.

Lei 15 · Tolerância

Intolerância fecha portas e cega o julgamento. A lei pede não falar mal dos outros, ignorar comentário maldoso, não bancar o justiceiro, eliminar pensamentos destrutivos e estudar os próprios valores. É uma lição de convivência que também é estratégica: quem vive brigando gasta energia que deveria ir pro propósito.

Lei 16 · A regra de ouro

O fecho: faça aos outros o que gostaria que fizessem a você. Honestidade, perdão a quem foi injusto e disposição pra ajudar. A regra de ouro funciona como o freio moral do sistema inteiro, porque um método pra ganhar poder e dinheiro sem ela vira manual de manipulação. Hill dizia que a filosofia não era religiosa, mas o tom do fecho é de pregação, e a adaptação mantém isso.

As 7 lições que valem o livro

  1. Comece pelo propósito. Sem alvo escrito, o resto das leis não tem onde se apoiar.
  2. Escolha seu conselho. Um grupo pequeno de gente que complementa você vale mais que esforço solitário.
  3. Poupe antes de gastar. A fatia fixa da renda vem primeiro, não o que sobrar.
  4. Execute sem esperar ordem. Iniciativa é a lei que transforma as outras em resultado.
  5. Entregue mais do que o combinado. Reputação se constrói no excedente, com o tempo.
  6. Separe fato de opinião. Decisão boa começa por saber o que é verificável.
  7. Derrota não é fracasso. A queda só vira fracasso quando você desiste sem aprender.

Críticas e limitações do livro

A primeira crítica vem herdada do original. Não há evidência de que Hill tenha conhecido Andrew Carnegie, encontro que sustenta todo o projeto, e em 2016 o jornalista Matt Novak, no Gizmodo, publicou uma investigação sobre o histórico de negócios de Hill marcado por acusações de fraude. Os números de pesquisa, como as centenas de milionários entrevistados, não são verificáveis. A adaptação reproduz a premissa da pesquisa sem discutir essa dúvida, o que é a falha mais séria de uma edição que se apresenta como comentada.

A segunda é de método. O livro estuda só quem venceu, o clássico viés de sobrevivência: não sabemos quantas pessoas seguiram as mesmas 16 leis e quebraram. Partes como a autossugestão e a ideia de que pensamentos dominantes se materializam não têm respaldo científico. Petry suaviza o misticismo do original, mas não o substitui por evidência.

A terceira é própria da adaptação. Ao condensar, o livro vira uma sequência de conselhos com pouca argumentação, e algumas leis ficam genéricas, perto de frase de calendário. Quem já leu Quem Pensa Enriquece vai reconhecer quase tudo. E como o sumário mistura as ideias de Hill com o comentário de Petry, o leitor nem sempre sabe de quem é cada afirmação.

Pra quem é e pra quem não é

Pra quem é: quem quer conhecer o curso completo de Hill, com as leis de economia, tolerância, cooperação e fracasso que ficaram de fora de Quem Pensa Enriquece, mas não tem paciência pra 672 páginas em linguagem de 1928. Serve como primeiro contato com Hill e como livro de consulta rápida.

Pra quem não é: quem já leu A Lei do Triunfo completo, porque vai achar pouca coisa nova. Também não é pra quem quer base científica, nem pra quem quer saber exatamente o que Hill escreveu: pra isso, só o original.

Vale a pena ler?

Vale, se você sabe o que está comprando. Como porta de entrada, a adaptação é melhor que o original: mais curta, mais clara e com uma ordem mais lógica, começando pelo propósito. Como obra de referência, perde, porque tira o contexto e não enfrenta as dúvidas sobre o autor.

Minha sugestão: se você nunca leu Hill e quer um livro só, comece por Quem Pensa Enriquece. Se gostou e quer as 16 leis completas sem o peso do original, esta é a edição certa. Se quer a fonte, vá direto pra A Lei do Triunfo da José Olympio.

Minha nota: 4 de 5 pra quem quer as 16 leis de Hill em versão curta e lê com senso crítico.

Perguntas frequentes

Quais são as 16 leis do sucesso de Napoleon Hill?

Na ordem da adaptação de Jacob Petry: propósito definido, Mente Mestra, autoconfiança, hábito da economia, iniciativa e liderança, imaginação, entusiasmo, autocontrole, fazer mais do que o exigido, personalidade agradável, pensamento preciso, concentração, cooperação, aproveitar os fracassos, tolerância e regra de ouro.

Qual o resumo de As 16 Leis do Sucesso?

É a versão condensada de A Lei do Triunfo, de Napoleon Hill, feita por Jacob Petry. O livro defende que o sucesso segue 16 leis que se aprendem, a começar por um propósito definido e pela aliança com outras pessoas, e termina na regra de ouro como freio moral.

As 16 Leis do Sucesso é de Napoleon Hill ou de Jacob Petry?

As ideias são de Napoleon Hill, publicadas em 1928 em The Law of Success. A adaptação, os cortes e os comentários são de Jacob Petry, e a edição da Faro Editorial é de 2017.

Qual a diferença entre As 16 Leis do Sucesso e A Lei do Triunfo?

A Lei do Triunfo é o curso completo de Hill, com 672 páginas na edição da José Olympio. As 16 Leis do Sucesso é a adaptação de 304 páginas da Faro, com linguagem atual, comentários de Petry e o propósito definido como primeira lei, em vez do Master Mind.

Quem é Jacob Petry?

Um jornalista e pesquisador brasileiro naturalizado americano, formado em filosofia, que escreve sobre comportamento e sucesso. É autor de O Óbvio que Ignoramos e Poder e Manipulação, ambos pela Faro Editorial.

As 16 Leis do Sucesso tem em PDF grátis?

A versão legal é o livro físico ou o digital vendido nas lojas oficiais, inclusive em Kindle. PDF gratuito costuma ser cópia sem autorização da Faro Editorial.

As 16 Leis do Sucesso vale a pena?

Vale como porta de entrada para o curso completo de Napoleon Hill, em linguagem atual e em menos da metade das páginas. Quem já leu A Lei do Triunfo vai achar pouca novidade.

Fontes

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